terça-feira, 18 de setembro de 2012

Seminário de Juvenília e visita de Fernando à Januária











Seminário em Januária






Esqueceram de mim - de Cláudio Antônio de Almeida

ESQUECERAM DE MIM


Creio que toda família tem uma história dessas – esqueceram um filho para trás e só deram falta horas ou dias depois, ou se deram falta. Sim, tem gente tão desligada que precisa alguém achar para se tocar. Mas cada um conta como pode e sente os efeitos como deseja, se não foi ele o esquecido, no caso. E nessa história, olha eu lá abandonado, largado, no meio da noite.
Meu pai, Manoel José de Almeida, era candidato a Deputado Estadual em Minas Gerais    e, política não era coisa de criança, mas não sei porque razão, eu fazia parte da comitiva de meu pai à uma cidade do norte de Minas.  Tinha entre dez e doze anos, magrelo e comprido, mas era o crianção. Meu pai tinha um motorista chamado Paulo, era brincalhão e se tornou em pouco tempo o ídolo da meninada, pois fazia tudo o que a gente gostava, inclusive as coisas proibidas, como usar o carro da Caio Martins para finalidades não públicas. Apesar de estudar num Colégio num bairro distante, não me lembro de ter sido conduzido por um carro público até o estabelecimento. E meu pai fazia essas coisas naturalmente. Não me lembro dele dando ordens para que não usassem para a família os veículos públicos. Era espontâneo, e eu e meu irmão íamos de bonde para a escola, quando não íamos a pé, para fazer economia, com vistas a utilizar a grana em algo mais interessante. Também não me lembro de reclamar dessa maratona diária, para chegar até àquele templo dos padres escolápios, dos quais não guardo boas lembranças. Mas essa história fica para outro momento.
Mas chegamos a Januária e fomos para a casa do chefe-político da cidade. Com o Estado Novo, época da ditadura getulista, os governadores dos Estados eram nomeados pelo Presidente e, os Prefeitos Municipais, pelo Governador. Eram interventores. Então, o coronelismo imperava em larga escala, principalmente por se tratar de pessoas de grande posse e relações políticas suspeitas, mas que lhes rendiam os dividendos necessários. Daí nasciam os donos de cartório, o delegado de polícia, a diretora da escola, o chefe dos correios e telégrafos, etc. Meu pai havia mandado confeccionar suas cédulas para a eleição. Lembro-me que a sala da minha casa ficou superlotada com os pacotes de cédulas e propagandas eleitorais. E isso tudo pra mim, era uma grande novidade. Estava penetrando num mundo hermético da política mineira. Os mais velhos diziam que os grandes políticos do estado eram descendentes de uma mineira, muito especial, chamada Joaquina de Pompeu. Diziam que ela se casava com homens de posse, e com o tempo, eles desapareciam. Então ela ficava com as propriedades dele. Surgia novo casamento e o fato sucedia com aquele novo infeliz. Contavam que ela tinha terras em toda a margem esquerda do rio São Francisco, chegando até ao Estado de Goiás, onde havia uma fazenda chamada “papuda”, pertencente a ela, localizada hoje no Distrito Federal. Mas aquela mulher mandava seus filhos e protegidos estudar num colégio chamado “Caraça”. Por ali, como em Harvard, nos States, passou a nata da sociedade mineira - agricultores, pecuaristas, cafeicultores, comerciantes, empresários, banqueiros, etc. E os jovens formados ali tinham um destino certo. Primeiro, eram ótimos partidos para um bom enlace, segundo, preparados para ocupar uma deputança e dominar o cenário político de sua região, onde já existia um pai nomeado prefeito e todo um arcabouço de regalias.
E Januária tinha o seu “barão”. Morava na melhor casa, normalmente, a única rua calçada, era cortejado e respeitado. Dono de propriedades rurais e muito gado. Isso sim, era o status. Diziam que a maior parte das terras foram tomadas dos pequenos posseiros e passadas em “seus cartórios”, para o nome dos membros da família. As vezes não conheciam dez por cento das terras. Eram os autênticos “donatários” portugueses, possuidores das capitanias hereditárias. Lembro-me bem, era um senhor muito gordo e falava assoprando. Estranho, mas era muito difícil entender. Imagino ele comendo farofa. Creio que as pessoas faziam que entendiam para não criar um conflito lingüístico com a autoridade. A esposa, igualmente gorda, se desdobrava em agradar meu pai. Tinha uma filha, mais ou menos da minha idade, igualmente gorda, mas não se dignou em momento algum a destilar algum tipo olhar para o humilde visitante. E o pessoal ia chegando e falando alto. Passaram várias garrafadas de café e biscoitos. Era uma festa. Via que meu pai era o centro das atenções e todos queriam conversar com ele, dar aquelas batidinhas nas costas demonstrando cumplicidade e comprometimento. Essas coisas são boas de se perceber. Aliás, eram, pois os tempos mudaram e a política mudou muito. Ainda bem. Cada uma daquelas pessoas era um tipo de segundo escalão do poder central da cidade. O Prefeito distribuía as cédulas para aquelas pessoas, que eram, no dia da eleição, colocadas dentro de um envelope, com o destino de cada candidato lacrado. O pobre do eleitor nem sabia o que estava ali dentro, mas era o instrumento de legalização do ato, pois tinha um título de eleitor. E olha que tinha eleitor morto há vários anos e que continuava lá firme, cumprindo seu compromisso cívico perante a justiça eleitoral. Meu pai nascera naquela cidade, mas não me lembro, em minha infância de ter passado férias por lá. Imagino que não existiam parentes. Nossas férias eram no sul de Minas, na terra de minha mãe. Meu pai era de família pobre e humilde. Não era dotado dos sobrenomes que destacam os domínios financeiros do município. Era um Almeida. Apenas um Almeida, no meio daqueles lastros que dominavam o município e o poderoso Estado de Minas. À época, se praticava a chamada política do café com leite, ou seja, num ano é escolhido um candidato paulista e no outro, um mineiro. Os outros Estados dançavam, pois o domínio era mesmo dos dois produtores de café e leite. Domínio econômico. E eram nesses Estados que surgiam os grande Bancos, os conglomerados industriais e comerciais. E meu pai foi se meter a ser Deputado no meio daqueles coronéis poderosos, que normalmente, faziam de seus filhos ou enteados, seus herdeiros políticos. Via que meu pai estava fora do seu mundo, seu ambiente, seus discos, sua música, seus livros. A linguagem ali era outra, mas, pensava, é a tal de missão que dizem ter que enfrentar. E ele realmente tinha um compromisso, pois assumiu a responsabilidade, junto a sua inseparável mulher, de criar uma instituição para a recuperação e amparo do menor carente ou abandonado no Estado. Era seu projeto político. Não havia outra alternativa, pois a obra crescia e os recursos financeiros eram finitos em pouco tempo. Lembro-me um dia meu pai indo à casa de um Deputado Federal, num bairro muito chique, em Belo Horizonte. Ele iria pedir para que sua obra fosse contemplada nas subvenções orçamentárias do ano seguinte. Chovia muito e a mulher do Deputado nos atendeu na porta e nos deixou na porta, tomando chuva, enquanto chamava o marido. O homenzinho, bem amestrado, também não convidou meu pai para entrar, resolvendo as pendengas ali mesmo, na chuva. Ele não, apenas eu e meu pai molhávamos. Senti algo de diferente naquele dia, que hoje ainda mexe com meus brios. O Manoel de Almeida era humilde, mas soberbo. Mas não esqueci. Dizem que o mineiro não guarda rancor, mas não esquece. Ta coberto de razão, quem teve essa percepção.
O dia foi de muito papo, muito café e biscoito rolando pela casa. Ali era o centro de decisão. Percebi logo. Não adiantava pensar em visitar pessoas pela cidade, pois ali era o centro de todas as decisões municipais e regionais. E nada se faz sem a moeda de troca. Tem um santo que entende bem desse negócio – é dando que se recebe. E o movimento começa a diminuir, quando todos começam a se dirigir a pé para o prédio onde funcionava o cinema. Era um tipo de teatro, grande, bonito, com uma arquitetura que denotava os traços de um grande engenheiro-arquiteto naquelas colunas. Sentei-me na primeira fila e lá começaram os discursos. E bota discurso nisso. Cada um falava como se fosse o principal orador do evento. Eu apenas observava e o sono batia cada vez mais forte. Eu me esforçava para agüentar e sobreviver àquele falatório, mas o cansaço foi mais forte. Viajamos o dia todo de Belo Horizonte até aquela cidade e não havia um centímetro de asfalto que pudesse amenizar os solavancos do carro, dirigido pelo Paulão. E eu dormi e dormi muito. Não sei nem se meu pai chegou a falar, nem quanto tempo aquele falatório durou, pois deitei-me nos braços de orfeu e me entreguei de forma explícita.
Num certo momento da noite, acordei. Estava tudo escuro. Não conseguia associar o tal do cinema com o lugar onde eu me encontrava. Naquela época os pais carregavam a gente quando dormia e acordávamos em lugar nunca dantes imaginado. Mas não era bem o meu caso. ESQUECERAM DE MIM, literalmente. Não havia uma viva alma no cinema e estava tudo escuro. Não cheguei a entrar em pânico, ainda bem, mas procurei uma lógica de saída. Segui rumo à parte superior das cadeiras e vi uma porta encostada. Ainda bem, o segurança não era de confiança. As ruas da cidade eram iluminadas por umas lâmpadas que não conseguiam nem mesmo se iluminar. Era uma brasinha apenas. Mas dava pra distinguir que ali havia um poste. Ouvi um barulho distante, parecendo uma aglomeração, vozes, e até foguetes. Pra quem está perdido, qualquer terra a vista é tudo o que se deseja. Segui para a direção do barulho e era uma grande concentração de pessoas – o chamado comício. Tinha música, discursos, foguetório a vontade. Uma festa. E eu lá, sozinho, sem pai nem mãe. Vi que havia um palanque, onde ficavam as pessoas importantes. E, observando melhor, lá estava meu pai, alegre, sorridente, cumprimentando a todos, demonstrando felicidade total. Com muito custo, consegui chegar até o tal palanque. Ali, um segurança, desses chatos mesmo, impediu a minha subida à corte. E agora, já fui esquecido e agora barrado. Preciso de nova chance. Mas menino está pronto pra qualquer coisa. Foi quando decidi escalar o palanque e atingi o piso dos felizes. Lá em baixo estavam aqueles que sempre estarão lá em baixo. Dão quorum e aplaudem sempre. Também são felizes, será? Meu pai era o orador da hora. Eu achava aquilo muito importante. Como uma pessoa consegue falar tanta coisa sem estar lendo. Como consegue armazenar tudo na cabeça e dizer direitinho para todo mundo ouvir. É, bons tempos de criança. Neste momento, meu pai perceber a minha presença. Senti-me aliviado, pois eu ainda imaginava que teria que dormir em algum lugar e, mais um esquecimento, gréu. Olha pra mim e lembra que havia me esquecido no cinema. Sorri e me dá um abraço e continua a sua fala. Já não me preocupava mais com o que ele falava, nem de onde vinham aquelas palavras, pois eu agora estava seguro, nos braços de meu pai distraído. 


CLÁUDIO ANTÔNIO DE ALMEIDA 

SETEMBRO DE 2012.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Discurso proferido por Cláudio Antônio de Almeida durante Seminário em Januária

CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE MANOEL JOSÉ DE ALMEIDA
COMEMORADO NA CIDADE DE JANUÁRIA-MG – EM 8/9/2012.


TUDO COMEÇOU AQUI, EXATAMENTE AQUI NESTA CIDADE BARRANQUEIRA. AQUI NASCEU O MENINO MANOEL JOSÉ DE ALMEIDA, MEU PAI, TAMBÉM CHAMADO, CARINHOSAMENTE, DE NEZINHO. AQUI APRENDEU A NADAR E ATRAVESSAR A IMENSIDÃO DO RIO SÃO FRANCISCO, AQUI APRENDEU COM SEU PAI, JOSÉ ANTÔNIO DE ALMEIDA, SUAS PRIMEIRAS PROFISSÕES – COMÉRCIANTE, MÚSICO, SAPATEIRO E ALFAIATE. TAMBÉM AQUI JÁ PRATICAVA OS PRIMEIROS ACORDES NA FLAUTA E NO BANDOLIM. SUA MÃE, RITA DIAS ORTIGA ALMEIDA, MULHER CORÁGEM, JÁ PERCEBIA NAQUELE GAROTO, UM DESEJO DE BUSCAR NOVAS PLAGAS E CONQUISTAR O MUNDO. A FAMÍLIA MUDA PARA SÃO FRANCISCO, ONDE, SEU PAI SOFRE UMA VIOLENTA PERSEGUIÇÃO POLÍTICA, LEVANDO-O A FUGIR PARA A REGIÃO DO URUCUIA.  APESAR DE SER MANOEL APENAS UM ADOLESCENTE, ASSUMIU A RESPONSABILIDADE DE LEVAR TODA A FAMÍLIA PARA A CIDADE DE DIAMANTINA, POIS SEU PAI VOLTARA E RECEBERA UM CONVITE PARA TOCAR NA BANDA DE MÚSICA DA CIDADE. E PARA LÁ, SEGUIRAM TODOS.  
MAS O DESTINO CRIOU PARA AQUELA CRIANÇA, DESAFIOS DE UM JOVEM ARRIMO DE FAMÍLIA. ASSIM, MANOEL INGRESSA NO BATALHÃO DA POLÍCIA MILITAR DA CIDADE. UM CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO O LEVA A BELO HORIZONTE, ONDE, NAQUELE MOMENTO ERAM RECRUTADOS TODO TIPO DE PESSOA PARA LUTAR NA REVOLUÇÃO DE 1930, NA DIVISA DE MINAS COM A BAHIA. ALI FOI APRENDENDO A SER HOMEM E ENFRENTAR OS DESAFIOS QUE A VIDA LHE IMPUNHA A CADA DIA. EM 1932, LÁ ESTAVA ELE NO ESTADO DE SÃO PAULO NUMA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA, AINDA MENOR IMPÚBERE .
A ESCOLA DA VIDA FOI LHE DANDO OS INSTRUMENTOS NECESSÁRIOS À SUA SOBREVIVÊNCIA E A DE SEUS FAMILIARES. DECIDIU LEVAR TODOS, PAIS E IRMÃOS, PARA BELO HORIZONTE E LA ORIENTOU-OS NOS ESTUDOS E NOS PRIMEIROS PASSOS PARA A VIDA. E A POLÍCIA MILITAR PROPORCIONOU-LHE ESSE APRENDIZADO. E FOI EXATAMENTE ALI QUE COMEÇOU A PERCEBER AS DISTORÇÕES DA SOCIEDADE, A MENDICÂNCIA, A POBREZA, AS DROGAS, O FURTO, O MENOR ABANDONADO NAS RUAS. NAQUELA PERCEPÇÃO, LÁ SEGUIA MANOEL DE ALMEIDA A COMEÇAR A RABISCAR AS PRIMEIRAS LINHAS DO DESTINO QUE FARIA COM QUE SUA VIDA FOSSE COMPLETAMENTE TRANSFORMADA. ESTAVA MATURANDO ALI UM GRANDE EDUCADOR. UMA NOVA CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO O LEVAVA A ENTENDER QUE, PARA CORRIGIR AQUELA SITUAÇÃO MISTER SE TORNARIA MUDAR O LEMA MILITAR “VIGIAR E REPRIMIR” POR “EDUCAR E ASSISTIR”. ESTA SERIA A DIRETRIZ BÁSICA PARA UM MUNDO MELHOR. E ASSIM, NASCEU DENTRO DAQUELA INSTITUIÇÃO RÍGIDA, QUE ERA A POLÍCIA MILITAR, AS ESCOLAS “CAIO MARTINS”, QUE VIRIAM TRANSFORMAR AQUELES MENINOS DESAJUSTADOS EM VERDADEIROS HOMENS DE BEM. A CONCEPÇÃO DE “LAR” ERA A MATRIZ QUE TRANSFORMARIA O INDIVÍDUO EM UM NOVO SER HUMANO, POIS, COMO ELE DIZIA: “A CRIANÇA É PAI DO HOMEM”.
E AQUELE PREDESTINADO MENINO ESCOTEIRO, CAIO MARTINS, CÉLEBRE, AO DIZER MORIBUNDO, NUM ACIDENTE FERROVIÁRIO, QUE “O ESCOTEIRO CAMINHA COM AS PRÓPRIAS PERNAS”, IRIA DAR O NOME A UMA INSTITUIÇÃO QUE TIRARIA DAS RUAS MAIS DE CINQUENTA MIL CRIANÇAS E AS DEVOLVERIA À SOCIEDADE, CIDADÃOS DE BEM, RESULTADO DA AFETIVIDADE, BASE DE TODA A FILOSOFIA IMPLANTADA.
DE ESMERALDAS PARTIRAM OITO MENINOS DE 12 A 16 ANOS PARA CRIAR UMA ESCOLA DE MENORES EM PIRAPORA (BURITIZEIROS), 1952. EM 1953, MANOEL DE ALMEIDA RETORNA, AGORA COMO EDUCADOR, À DIVISA DE MINAS COM A BAHIA, NA CIDADE DE CARINHANHA, PARA LEVAR EDUCAÇÃO ÀQUELAS CRIANÇAS DESASSISTIDAS DA REGIÃO. ERAM VERDADEIROS BANDEIRANTES SE EMBRENHANDO PELAS MATAS DE MINAS GERAIS, ESTENDENDO UMA MÃO DE CARINHO. SURGIA LOGO APÓS UMA ESCOLA DE JOVENS PARA JOVENS – NÚCLEO COLONIAL DO VALE DO CARINHANHA - JUVENILIA. O RESULTADO PARECIA UM MILAGRE. ERA CRESCENTE O DESEJO DE VÁRIAS REGIÕES TEREM EM SEU MUNICÍPIO UMA IDÉIA MATERIALIZADA, VOLTADA PARA A FORMAÇÃO DE JOVENS LÍDERES RURAIS. DAÍ, SURGIRAM, EM SÃO FRANCISCO E SUA TERRA, JANUÁRIA, OS CENTROS DE TREINAMENTO, EM 1957.
MAS A IDÉIA NECESSITAVA NÃO SOMENTE DE UM SUPORTE TÉCNICO E HUMANO, MAS TAMBÉM FINANCEIRO, PARA A SUA SOBREVIVÊNCIA. RAZÃO QUE LEVOU MANOEL JOSÉ DE ALMEIDA ÁS CAMARAS ESTADUAL E FEDERAL. ALI, DISPUNHA DOS INSTRUMENTOS NECESSÁRIOS À MANUTENÇÃO DAQUELA OBRA, BEM COMO DISSEMINAR PELO BRASIL A NECESSIDADE DE SE DAR UM TRATO ESPECIAL À RECUPERAÇÃO DO MENOR CARENTE. NO CONGRESSO NACIONAL, RELATOU NA CPI DO MENOR UM PROJETO EM NÍVEL NACIONAL RETRATANDO A REALIDADE BRASILEIRA DO MENOR. É DELE TAMBÉM O PROJETO DE DIRETRIZES E BASE DE EDUCAÇÃO NO BRASIL, ALÉM DE PROJETO SOBRE A REFORMA AGRÁRIA NO PAÍS. PORÉM, O MAIS IMPORTANTE PARA ESSA REGIÃO SOFRIDA E MUITO CONHECIDA POR ELE, É DE SUA AUTORIA O PROJETO QUE INCORPOROU ÁREA SIGNIFICATIVA DO ESTADO DE MINAS À REGIÃO DO POLÍGONO DAS SECAS, OBTENDO RECURSOS DA SUDENE, QUE HOJE OBTÉM A RESPOSTA PRODUTIVA DESTA REGIÃO, QUE HÁ TANTOS ANOS RECLAMAVA POR UMA MAIOR ATENÇÃO GOVERNAMENTAL.
MANOEL JOSÉ DE ALMEIDA, SAIU DAQUI MENINO, CONHECENDO DE PERTO O SOFRIMENTO DO BARRANQUEIRO, SUAS CARÊNCIAS E SUAS NECESSIDADES, MAS TAMBÉM SUAS POTENCIALIDADES. COM TODA A CERTEZA, JAMAIS ESQUECEU SUAS ORÍGENS, SUAS RAÍZES HUMILDES, O QUE O MOVEU A DAR UMA VIDA EM PROL DESTA REGIÃO E DE SEU POVO. E, PARA ISSO, SEMPRE CONTOU COM A COLABORAÇÃO EFETIVA DE SUA INCANSAVEL COMPANHEIRA, MÁRCIA DE SOUZA ALMEIDA, QUE ATÉ HOJE REPRESENTA UMA IDÉIA VIVA DO QUE MANOEL DE ALMEIDA SEMEOU E COLHEU.    

CLÁUDIO ANTÔNIO DE ALMEIDA
Januária, 8 de setembro de 2012

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Homenagem de José Ortiga

´
Um oficial da PMMG, ex-aluno das Escolas "Caio Martins", solicitou um pequeno texto para as comemorações do centenário do Manoel Almeida, acredita ser para um livro.
CORONEL MANOEL JOSÉ DE ALMEIDA, meu primo-irmão.
Sim, no entanto, para juntar-me a outros. E fazer um pouco de história de um tempo em que tantos ainda prometiam nascer.
Juntar-me a amigos de momentos e circunstâncias  diferentes. Refiro-me àqueles que conviveram com o cidadão: policial-miliatr e educador, que também foi político -deputado estadual e federal reeleito, várias vezes. Com merecimento.
Muito moço, ingressou na Força Pública (Polícia Militar). Logo experimentou as agruras decorrentes da realidade político-social dos anos 20, dele  e da época. Inclusive na "linha de frente". Exatamente.
Já pensavam os políticos, líderes, e os comandantes, convergirem a atenção para a sua Força Pública. Buscaram dotá-la de um nível profissional  condizente à sua verdadeira destinação social.
Daí veio surgindo o Departamento de Instrução, a nossa atual Academia - 1934.
Ainda criança, conheci o primo quando, em férias, esteve em São Francisco, minha terra, vizinha de sua  Januária, ambas à beira do "Santo Rio". Acompanhava-o sua irmã, futura professora Maria Isabel.
Manoel preocupou-se com tudo e com todos. Levou-nos, meu irmão Heráclito e eu para estudar em Diamantina - comunidade altamente civilizada -sede do seu tradiciolnal Batalhão. 
Nossa convivência teve continuidade. Estava ele no curso de Formação de Oficiais, integrado por alunos de boa cultura. Manoel foi o primeiro da primeira Turma-1936.
Residimos mo bairro Carlos Prates. Nessa época exigia de mim e do seu irmão João lêsemos uma obra de autores brasileiros, principalmente, no espaço de cada semana. 
Ainda vacilante, tive dele um conselho definitivo: ingressar na Força Pública (Polícia Militar). Tammbém assim o fez em realação a outros jovens egressos da escola "Caio Martins"" e de nossa região natal.
Manoel tinha vocação de educador, de modo latente e intenso. Afortunadamente, casou-se com a jovem  Preofessora Márcia de Souza, que conheceu em Boa Esperança, sua terra.
Revelou à Márcia o seu projeto. Ao assentimento e entusiasmo dela somou-se o apoio do Comandante Geral da Força Pública (PM), Coronel José Vargas da Silva.
Assim também do Governador do Estado, Doutor Milton Campos. Criou-se a Granja-escola "Caio Martins", denominação inspirada no escoteiro, herói.
Com a colaboração de oficiais e praças, imprimiu o casal inédito e modelar estilo de educação e formação profissional de adolescentes normais. Os que não tivessem pais, ou de pais distantes, ou de pais modestos, financeiramente. 
Observamos: o mencionado estilo de educação e formação não "saiu de moda". Pelo contrário.  Implntada em Esmeraldas, estendeu-se a outros rincões. Foi para as barrancas do São Francisco. o rio da unidade, de onde veio o coronel Almeida.
Ocorre-me de haver realizado, com um colega. Primeiro Tenente José Cândido, a medição do entorno da Escola "Caio Martins".
Mais tarde, contou a Escola, na distante Carinhanha (divisa da Bahia), com o trabalho devotado do velho Antonio Ortiga, tio do Manoel. Hoje é Fundação "Caio Martins".
Amboa na reserva (aposentados), encontramo-nos, Manoel e eu, numa solenidade comemorativa na Academia de Polícia Militar, nosso antigo Departamento de Instrução(DI). Coronel Braga Jr. era o comandante. Em dado momento achegando-se mais, sussurou ao meu ouvido:"Zé, nós não somos primos. Nós somos irmãos".
Foi assim, muito mais ainda - o Coronel Manoel José de Almeida - o que anteviu tudo. O que a todos estendeu suas mãos generosas.
CORONEL PMQO
eX-COMANDANTE DA POLÍCIA MILITAR.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Quem foi Manoel José de Almeida para mim?


“- Um segundo pai espiritual, pois o primeiro pai espiritual é Deus; eu me lembro demasiado, quando o avião das Escolas Reunidas Caio Martins aparecia nos céus de Buritizeiro-MG, naquele voo rasante, anunciando que a bordo estava o diretor geral das Caio Martins, coronel e deputado Manoel José de Almeida. Então as crianças, inclusive eu que o chamava "Meu Padrinho" e assim ficou até hoje, gritávamos: "é o coronel, é o coronel, é o coronel." Era uma música em coro, uníssono. Ali vinha nos céus de Minas o nosso segundo pai espiritual, muito mais do que um pai carnal. Uma meia hora após, eis que surgia no carro da Caio Martins Manoel de Almeida, Coronel Astolfo, um outro coronel um tanto albino, cujo nome não me recordo, momento em que as crianças corriam ao lado do carro e outros atrás, sempre gritando "é o coronel! - Abria-se a porta e do veículo o nosso pai espritual descia, já com dois filetes de lágrimas nos olhos e as crianças o tocavam, em afagos amáveis, sentiam-se seguras por ali estar o protetor delas. Manoel José de Almeida foi um espírito encarnado que se sobrepos ao seu tempo, ou seja excedeu em bondade o quilate deferido por outros naqueles dias. Hoje, está na corte de anjos do nosso pai celestial: hoje ele reencarna as palavras do saudoso Guimarães Rosa: "As pessoas nunca morrem, ficam encantadas." Manoel José de Almeida, ainda que ocupara diversos cargos e a adversidade da vida até o empurrou para as guerras, foi aquele homem descrito por Ernesto Che Guevarra: "Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás."

Ele está encantado no coração dos verdadeiros caiomartinianos, aqueles caiomartinianos idelistas que jamais negarão a sua origem e a história verdadeiramente vivida. Para mim ele viverá eternamente. É isto que ele é para mim e meus olhos já se lacrimejam”. Walter Santos.
21 de agosto de 2012.